terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Eu vi

O site interpoetica.com.br lançou um novo mote em sua Corda Virtual. A provocação é: Vi a porteira do mundo / Entre as pernas da mulher. Eu fiz esses dois aí:
-
O velho Mané Perneta
Com bem mais de uma escola
Diz que do mundo é a mola
O falado "cara preta"
Um dia numa retreta
Disse "Aceite se quiser
O que esse velho disser
Mas tenho um olhar profundo
Vi a porteira do mundo
Entre as pernas da mulher"
-
Curioso fui menino
Quase tudo estudei
Outro dia pesquisei
Todo o corpo feminino
Na nuca vi pelo fino
Nos peitos um "quem me quer?"
Atrás: "desça se quiser!"
Chegando perto do fundo
Vi a porteira do mundo
Entre as pernas da mulher

Foi-se o Preto Pena Branca

O cantor raiz desencarnou ontem (08) à noite. E não vou dizer mais nada porque esse verso de Jorge Filó diz mais do que tudo: -
Foi primeiro o poeta Xavantinho
Grande lastro da nossa cantoria
Pena Branca era a sua companhia
Que cantava igualmente um passarinho
Essas aves deixaram nosso ninho
E a cantiga do mato agora arqueja
Sei que a morte fatal ninguém deseja
Mas um dia ela chega e a voz estanca
Com a morte do Mestre Pena Branca
Morre um pouco da musa sertaneja

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tem até eu nesse balaio aí

Incrivelmente incrívi!!! A pouco tempo foi lançado, oficialmente em Recife, mas para acesso no mundo todo, o maior e mais bem elaborado acervo de Literatura de Cordel, disponível, de forma gratuita, para a grande rede. Trata-se do acervo particular da pesquisadora Maria Alice Amorim, que conta com mais de sete mil títulos, todos digitalizados e a disposição dos internaltas do mundo todo. Um verdadeiro celeiro, abarrotado de grandes nomes e títulos, dos mais renomados cordéis e cordelistas do Brasil, alem de vários anônimos. Com uma apresentação primorosa e de fácil navegação, o site é de valor inestimável para; pesquisadores, estudantes, amantes da arte do cordel, cordelistas e toda gama de curiosos. Parabéns a Maria Alice e sua equipe, ao governo do estado, pelo apoio através do Funcultura e todos os grandes mestres cordelistas. Eu indico, e com louvores, uma visita ao site. Clique no link abaixo! http://www.cibertecadecordel.com.br/index.php

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Minha Coluna de Janeiro no Jornal O Movimento

Um soneto de Maciel Melo

-

Pelos cantos da casa

-

A saudade invadiu a minha casa

Pelas brechas da alma foi entrando

Se encostou pelos cantos, foi ficando

A tristeza emplumou-se, criou asa

-

Fez um ninho, ciscou, espalhou brasa

E a este escarcéu fui me entregando

Vejo vultos velozes vagueando

E uma lágrima de quando em quando vaza

-

E os meus olhos pingando, olhando as telhas

Minhas lentes de contato estão vermelhas

Pois vermelha é a cor dessa paixão

-

Saudade é um amor que de longe se retrata

Um carinho distante que maltrata

É um aperto que dá no coração

-

É ele mesmo

É do próprio caboclo sonhador essa lapa de soneto aí de cima. O bicho é poeta cantando e poetando também. Foi o jeito que ele definiu saudade, tão própria e ricamente quanto outros registros pra essa dor de todos nós que dá poesia na medida que dói. Tu que é mais atento já visse que esse soneto é a música que abre o disco Sem ouro e sem mágoa, o mais recente dele. Aí vai me perguntar: e num tá faltando um pedaço, não? Tá não! Pra virar música foi que ele ganhou um pedaço a mais. Mas nasceu soneto, desse jeito aí que tá escrito.

-

O pedaço de Xico

Maciel diz que para musicar repassou o danado pra Xico Bizerra, outra grande coisa boa da música boa. Acrescentaram mais quatro linhas, botaram melodia e o bicho ficou bom de ouvir, de roer e de dançar. O pedaço a mais é assim: Abri a porta, tirei a chave e a tramela / E na janela um bilhete dizendo pode entrar / Que essa saudade faz tempo que me devora / Não vejo a hora de poder recomeçar. Decorou? Então cante.

-

Mudando de assunto

Eu nunca gostei mesmo de Boris Casoy com aquela cara de veia d’A Praça é Nossa. E digo com minha pouca experiência: desconfie de gente que acha que o mundo todo tá errado e que só ele é que tá certo. Aquela mania de comentar sarcasticamente todas as notícias, além de desnecessária, é irritante. Taí! Caiu a máscara! O tal apareceu na TV praticando um dos mais graves crimes da espécie humana: a discriminação social. E contra quem? Uns garis. Quisera o mundo contar com jornalistas tão dignos e humildes quanto os garis que eu conheço.

-

Valeu, poeta!

Rogério Meneses, o cantador, foi notícia nacional de novo como vereador. Presidente da Câmara de Caruaru que é, deu seriedade à Casa que era uma vergonha pra Capital do Forró. Agora no fim do ano o homem devolveu para a Prefeitura quase R$ 1 milhão. O dinheiro sobrou e voltou pra o Executivo transformar em ações norteadas pelo próprio Legislativo. Aí uma das notas na imprensa referente ao caso terminou dizendo: Detalhe, Rogério Meneses é poeta repentista. E eu digo: detalhe, nada, esse é o ponto principal da grandeza e da moral deste homem. Como diria meu amigo Luiz do Crediário: VALEU, POETA!!!

-

Pra ouvir

Sinfonéia Desvairada (Fulorando) >>> Antonio Carlos e Jocafi (Série 20 Super Sucessos) >>> Val Patriota e Raízes do Pajeú (Até que em fim) >>> Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (Jorrando cultura).

-

Pra acessar

www.nopedaparede.blogspot.com www.vozdosertao.blogspot.com www.culturanordestina.blogspot.com

-

Pra refletir

“Quando estou ocupado em servir os outros, não olho pra mim mesmo como um prestador de favores, mas como um pagador de dívidas.” Benjamim Franklin, escritor e político norte-americano

-

O abraço da coluna para o prefeito Albérico Rocha, de Iguaracy, pela decisão de trazer e trazer de novo Maciel Melo para a festa de São Sebastião. Ter um assombro como Maciel e fazer de conta que não o tem não combina com um povo grande. E Viva o Santo Guerreiro!

-

E ninguém diga que eu tô chaleirando demais Maciel, não, porque o neguim merece.

-

E também num diga que eu tô querendo agradar Albérico, não, porque esse negócio de alisar prefeito eu sempre achei que só fica bonito mesmo pra primeira dama. Uns que são sem opção e gostam até demais de tá do lado deles enquanto eles tão lá.

-

E Biu Doido de São José do Egito ia pela rua comendo um pão. Uma moça, num sei se inocentemente ou mesmo preparando uma boa tirada de Biu, perguntou: Comendo pão no meio da rua, Biu? E Biu, ligeiro e sisudo: Eu vou bem alugar uma casa só pra comer um pão!

-

Como diz meu poeta João Paraibano: Um cheiro na aima e até de novo.

O verso de Nill Júnior

Armadilhas da vida nos afastam

Da vontade de amar e fazer bem

Egoísmo, ganância, tudo vem

Mas as almas dos bons não se arrastam

Dom Francisco é exemplo que nos basta

Pelo seu coração, a mente aberta

E por dentro a pureza de um poeta

Sua vida aos menores se doou

Quem oferta uma flor não se liberta

Do perfume da rosa que ofertou

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Como diria Luiz do Crediário: VALEU, POETA!

A Câmara que economizou R$ 1 milhão
Publicado em 16.01.2010 Pedro Romero promero@jc.com.br
Após desgaste na imagem com escândalos nos anos anteriores, a Câmara de Caruaru impôs uma política de austeridade em 2009 e já teve lucro CARUARU – A principal discussão das últimas sessões da Câmara de Vereadores desta cidade do Agreste, antes do recesso, foi de como a prefeitura pode utilizar cerca de R$ 1 milhão que foi economizado pelo Legislativo em 2009. Bem diferente dos últimos anos, quando os vereadores caruaruenses tentavam explicar escândalos e denúncias de improbidade administrativa. Parte dessa mudança se deve ao trabalho do vereador, poeta e repentista Rogério Meneses (PT), que como presidente da Casa, desde o início de 2009, vem se destacando pela moralidade, pelos debates e pela valorização da participação popular. O primeiro vereador eleito pelo PT em Caruaru assumiu a presidência da Câmara depois de o Legislativo ter passado pelos piores momento de sua história. Em novembro de 2007, o então presidente da Câmara, Manoel Teixeira (PSDC) – Neguinho Teixeira – e mais dois vereadores brasileiros – um de Matosinhos (MG) e outro de São Francisco do Sul (SC) – ganharam notoriedade ao serem flagrado pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, em uma viagem a Buenos Aires, capital da Argentina. Segundo a reportagem da TV, com o pretexto de participar de um congresso, o trio fez um passeio turístico com dinheiro público. O caso rendeu um processo na Comissão de Ética da Câmara. Manoel Teixeira – que depois assumiu a prefeitura, com a renúncia do então prefeito Tony Gel (DEM) para disputar mandato de vereador – escapou da cassação, mas se viu obrigado a devolver a quantia usada na viagem. Outro vereador de Caruaru, Louro do Juá (DEM), foi acusado de se apropriar da ambulância de uma associação de moradores. Ele também não recebeu nenhuma punição, mas não foi reeleito em 2008. Uma das primeiras medidas tomadas por Rogério Meneses para tentar mudar a imagem da Câmara foi acabar com a polêmica verba indenizatória, que sempre deixava margem para o uso indevido do dinheiro púbico. Ele também implantou o Portal da Transparência, onde estão disponibilizados os gastos do Legislativo. A austeridade com o uso do dinheiro público passou por medidas como a implantação do Sistema de Controle Interno, o controle de material de escritório, de xerox e a realização de relatórios de viagens dos motoristas. O esforço resultou em uma economia de quase R$ 1 milhão durante o ano de 2009. “Economizar e ter zelo pelo dinheiro público é obrigação dos gestores. Esse dinheiro volta para a prefeitura e vai se transformar em obras para a população”, disse Rogério Meneses. Ele destaca que a economia aconteceu sem prejuízo para a modernização da Câmara e cita como exemplos a aquisição de um automóvel, 20 computadores, cinco impressoras e outros equipamentos. O primeiro ano do petista na presidência também foi marcado pela realização de inúmeros debates e sete audiências públicas sobre temas importantes para a cidade. A inovação esteve presente ainda em eventos como o aniversário da Câmara e do município, marcados pela participação de artistas e valorização da cultura popular. As iniciativas levaram de volta o povo ao Legislativo municipal. “A Casa passou a ser mais democrática. Acho que a imagem da Câmara já é outra”, afirma Rogério Meneses.